Andando na corda bamba, Camuflado pelo destino Longe dos desatinos Respiro um ar diferente, Sou mais forte que o ausente. Resistente como o marfim do dente, Sem eiras, mas com beiras Como um telhado que respira a chuva, O processo da vida turva, Como quem suga o néctar maduro da uva. Há passos lá fora, no alpendre que te prende E não te faz viver o outro lado. Só quem já foi compreende A criatura odiada, o ser amado. Andando na corda bamba, Fantasiado de um guerreiro voraz Perseverante e capaz. Triturando a incapacidade Nas mandíbulas da autenticidade Ligada na tomada da autêntica cidade. Os olhos abertos, o avesso Até no inverso se tem versos A cria das letras faz um diálogo mais espesso. O choro derramado, o leite sugado O tempo transformado Quando se vive pelo alpendre A vida passa e não surpreende Sai lá fora, remova, mova-se Não desande, ande Nem que seja na corda bamba. (Romir Fontoura)
Entrei no labirinto do amor, Não sei como sair, Os corredores são estreitos, E as paredes de espinhos causam dor, Muitas pedras pelo chão querem me fazer cair Corri desesperado de um lado para o outro sem jeito, Mais uma vez me senti perdido, Nesse local muitas pessoas ficaram feridas, Não quero ser mais um a ser machucado, Vejo marcas nas entradas de quem temia o pior, Será que esse sofrimento não tem fim? Entrei sem querer, Não sei se quero sair, Mas continuo procurando um recurso, Também procuro um grande amor, Quem sabe aqui é o meu lugar, Tudo nesse caminho me parece estranho, Perco-me a cada passo, Me encontro pelas esquinas aleatórias, Vejo uma luz, parece a liberdade, Quanto mais me aproximo, O medo me vem, E a duvida aumenta, Será que quero sair? Ou será que devo voltar? Dizem que no centro está a felicidade, Mas como chego lá? Será que ela estará a me esperar? Em momento de loucos pensamentos resolvi fugir, Em outros no impulso fui ao seu encontro, Em vão, nem você nem a felicidade estavam lá, Apenas uma noite enluarada para clarear os becos escuros, Veio a primeira lágrima, Como um pobre homem sem amor, Sento-me no chão, enxugo as pequenas gotas de águas dos meus olhos, Lamento ter perdido a oportunidade de ir embora, Será que ainda encontrarei o amor e a felicidade nesse labirinto? Não há portas para ir e vir, Mas dizem que aqui se encontra os maiores amores, Tenho duvidas, ainda não o encontrei. (Wendel Araújo)
Um comentário:
Postar um comentário